• Reportagem

A etiqueta da saudação

Ser cavalheiro está na moda

Raquel Pereira

“Bom dia. Como está?” É provável que repita estas palavras várias vezes ao dia, mas já alguma vez pensou no seu verdadeiro significado, na história que carrega ou no sorriso que pode provocar no outro? Conhecer a etiqueta da saudação não brota dos livros. Nasce em si e na vontade em querer que o mundo à sua volta seja mais simpático e generoso. “Foi um prazer conhecê-lo.”

Cada cabeça sua sentença

Um dos primeiros passos para se travar conhecimento com alguém está no cumprimento. Este momento delimitado por segundos pode dizer muito de si e da forma como deseja receber o outro. Um aperto de mão forte, olhar nos olhos e ser delicado podem ser cartões-de-visita valiosos uma promissora relação, pessoal ou profissional.

Já no tempo de Cícero se pensavam nestas coisas do cavalheirismo. Se não acredita, decore as palavras do mestre: simplicidade e sobriedade, dignidade e decoro, diplomacia e distinção. Contudo, terá ainda de recuar mais uns séculos para encontrar as origens de um dos mais emblemáticos cumprimentos humanos: o aperto de mão.

Crê-se que durante a era primitiva, um homem estendia a mão a outro para demonstrar que estava desarmado e vinha em paz. Também foi nos tempos das batalhas da Idade Média que surge o hábito de tirar o chapéu perante um conhecido. Um cavaleiro envolto numa armadura de ferro, erguia o elmo ou levantava a viseira para se dar a conhecer a um amigo.

A etiqueta refinou-se ao longo dos séculos, chegando mesmo a ser um quebra-cabeças para quem tentava segui-la à risca. Na corte de Luís XIV, existiam diferentes cumprimentos, conforme o estatuto social do interlocutor. Se fosse um homem importante, havia que se levantar o chapéu, para uma dama, retirá-lo completamente e para alguém de classe social inferior, apenas era necessário tocar na aba do chapéu.

Nos 4 cantos do Mundo

Nem só de classes sociais se faz a saudação. A história e a cultura de cada povo escrevem as linhas da sua própria etiqueta. Em certas tribos africanas, cuspir é uma saudação gentil de admiração para com o outro. Na Roma Antiga, os escravos e subalternos não tinham direito a cumprimentos afectuosos, pelo que deveriam prostrar-se perante o seu amo. Esta herança ainda sobrevive nalgumas culturas como certos povos da Arábia ou Índia, onde o costume de tocar com a mão no solo e depois levá-la aos lábios ou à testa é um hábito comum.

Mais afectuosos são os povos do frio, como os mongóis, lapões ou esquimós, que optam por esfregar o nariz em sinal de carinho. Porém, nalguns países asiáticos, esta proximidade é vista com maus olhos, por isso, opte por unir ambas as mãos e curvar-se quando saudar o outro.

Por cá, os apertos de mão entre homens e mulheres são uma constante em ambientes profissionais, mas consta que os povos latinos gostam mesmo de tocar, abraçar e beijar. Também nesta situação, certifique-se de que este contacto apenas deve ocorrer quando já existe alguma intimidade com o interlocutor. Na questão da quantidade, é comum utilizar-se três beijos em França, dois em grande parte das situações e um… lá para as zonas de Cascais.

Aula de boas maneiras

Existem, contudo, situações que exigem alguma habilidade no trato. Sem termos a pretensão de nos tornarmos lordes ingleses, convém estar alerta para algumas dicas importantes. A apresentação é um marco inicial do conhecimento em sociedade. Saiba que, em situações formais, a idade, o género e a posição social podem ser cruciais. Por exemplo, quando é apresentado a alguém importante, deve aguardar que este lhe estenda a mão e que lhe agracie com o típico “Muito prazer.” Só depois poderá retribuir.

No caso das senhoras, saiba que estas nunca se levantam para cumprimentar, a menos que estejam perante uma senhora idosa ou um alto cargo político ou religioso, como um sacerdote. No momento da saudação cordial, deverá também jogar com alguns trunfos. Lembre-se que um “bom dia” ou “boa tarde” deve apresentar realmente o desejo de que a pessoa que cumprimentamos o tenha.

Cabe ao homem a iniciativa de saudar primeiro a mulher. Já uma senhora deverá aguardar que uma menos jovem a cumprimente em primeiro lugar. Em contexto de restaurante, é deselegante estender a mão a quem esteja à mesa. Para o efeito, basta saudar com a cabeça e esboçar um sorriso afável. Se for homem e estiver sentado ao lado de uma senhora, prepare-se para o aquecimento, pois cada vez que esta se levantar ou regressar à mesa, também se deverá levantar ligeiramente, em sinal de respeito.

Etiqueta online

No seu quotidiano, há gestos e saudações que já lhe são inatas, como é o caso de cumprimentar os colegas e o chefe pela manhã. No entanto, repense alguns desses passos e procure dar-lhes significado e dinamismo. Por exemplo, no elevador, mesmo que por breves segundos, vai partilhar um espaço com outras pessoas. Um “bom dia” caloroso não lhe vai arrancar pedaço. Mas atenção! Se for chegar atrasado, procure entrar na sala de reuniões praticamente invisível. Deixe as saudações para os olhos ou gestos silenciosos.

O mesmo se passa em relação aos beijinhos. Faça contas e poupe este cumprimento mais íntimo para familiares ou amigos próximos. No local de trabalho, a menos que se trate de algum acontecimento especial, um sorriso bastará. Ah, e se alguém lhe perguntar “Como está?”… a resposta certa é “Bem, obrigado.” Acredite que ninguém está interessado nos detalhes particulares da sua vida no intervalo para o café.

Também nas suas comunicações online, poderá deixar o carimbo da simpatia. Considere que o e-mail é uma conversa telefónica. O “Olá!” é uma saudação simples e versátil que encaixa bem em qualquer situação. Para contactos profissionais frequentes, o “Prezado” ou “Caro” são as saudações mais acertadas. O “Bom dia/tarde/noite” são imprescindíveis para manter saudável a sua relação com amigos, colegas e até com os chefes mais sisudos.

2009-11-18
 

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